“Screen time” – tempo de tela

Educação em Família

Alguns anos atrás li uma reportagem interessante sobre pessoas importantes em Silicon Valley, e como controlavam severamente o acesso dos seus filhos à tecnologia que os próprios pais desenvolviam e vendiam. Um destes pais era o Steve Jobs.

Muitos estudos comprovam que exposição a telas pode ser prejudicial para os nossos filhos. Em nossa casa impomos limites estritos no uso do computador e outras telas. As crianças têm uma hora por semana para jogar ou assistir vídeos no computador ou iPad. Ocasionalmente a família assista um filme ou algum vídeo juntos, mas isto talvez algumas vezes por mês. Além disto, usamos as telas apenas para pesquisa ou para a educação (por exemplo, IXL.com).

Notamos ao longo dos últimos 20 anos que na medida que as crianças têm mais acesso aos jogos e filmes, elas têm menos capacidade de achar seu próprio divertimento. Crianças viciadas em telas logo logo falam “Não…

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Tenho medo de falar que faço homeschooling!

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Por Renata Santos

Esse post surgiu a partir de um saudável compartilhamento de mães em um post sobre “o que falar quando perguntam em que escola seus filhos estudam?”. Portanto, agradeço as todas as mães a maravilhosa ideia para uma breve reflexão sobre o assunto.

Há dois anos atrás, quando mencionávamos que praticávamos a Educação Domiciliar, as pessoas nos encaravam como ETS. Faziam uma cara de “o que é isso? Crianças fora da escola? Como pode??”. Mas graças ao trabalho incansável de muitas famílias na divulgação  de suas práticas educativas por meio de sites e blogs, demonstrando todo o compromisso com a educação integral de seus filhos, hoje quando somos perguntados sobre onde as crianças estudam, as pessoas já falam: “ah, eu já li uma matéria sobre o assunto!” ou “já ouvi falar mesmo sobre isso!”. A informação tem transformado a estranheza em simpatia.

Porém, é perfeitamente normal que as famílias iniciantes no homeschooling se sintam um tanto desconfortáveis quando são questionadas sobre o assunto. Nós passamos por isso. Ser diferente muitas vezes é desconfortável mesmo. Ter que explicar para um estranho todo um processo que levou meses ou anos para ser gestado em apenas poucas palavras, muitas vezes torna-se uma missão impossível e até mesmo desgastante.

É verdade que muitas crianças possuem dificuldades em elaborar a vida educacional sem a escola. Principalmente quando saem da escola. Ficam meio perdidas quando questionadas. Alguns pais as orientam a dizer que estudam na escola da mamãe, ou mesmo colocam o nome da mãe nessa escolinha especial, ou chamam de Homeschooling, como um nome de uma escola particular. Sim, acho que para uma conversa entre crianças, funciona. Mas também funciona falar que não vai para escola e que estuda em casa. Geralmente a outra criança fala: “que legal! Mas vamos jogar futebol?”. Ou seja, tanto faz. Para responder a um adulto, talvez esse tipo de resposta seja um incentivador para maiores perguntas: “sua mãe tem uma escola?” “onde é a escola de sua mãe, aqui no bairro?” “o que é homechooling? Uma escola bilingüe?”. Então, explicação por explicação, já seria interessante você instruir a criança na medida em que for crescendo, a ser um verdadeiro expert no assunto e dar todas as informações necessárias de forma clara e com propriedade.

Outro fator agravante, é o medo (às vezes pânico para alguns pais) de serem denunciados e se verem envolvidos em um tsunâmi jurídico. Para falar a verdade,  compreendo perfeitamente esses sentimentos, pois ninguém quer ter essa dor de cabeça de forma intencional. Então, muitos de nós apresentam várias ressalvas em matricular os filhos em escolas de línguas e música, e outras atividades extracurriculares, por não confiarem nos estabelecimentos, pois os mesmos possuirão os dados cadastrais da família como endereço e telefone.

São preocupações muito legítimas, mas tenho aprendido com o tempo que quem está na “chuva é para se molhar”. E que a partir do momento que acreditamos tanto na Educação Domiciliar que investimos nossas vidas e de nossos filhos nessa empreitada, temos que ser corajosos o suficiente em defender nossas escolhas. Também devemos estar cientes, que quando optamos por esse caminho, existirão possibilidades reais de sermos envolvidos em algo que não queremos. Nesse caso específico, ajuda muito a compreender que todas as coisas acontecem debaixo da soberania de Deus, e que nenhum fio de cabelo cai de nossa cabeça sem que Ele tenha ciência. Ser prudente ajuda, é claro. Mas não haverá nenhum esforço humano, nenhum subterfúgio que impeça os planos do Senhor em nossas vidas, sejam eles agradáveis ou desagradáveis. Assim, quando a desconfiança e o medo apertam, entregue-os ao Senhor e descanse em sua providência.

Com a nossa vivência aprendemos uma coisa. Chamamos de compartilhar responsabilidades. Quando desejamos matricular nossos filhos em alguma atividade extracurricular, conversamos diretamente com o responsável pelo curso. Apresentamos a modalidade educacional, e a seriedade que essa opção de vida traz. Deixamos claro a nossa expectativa quanto a importância do curso ou prática esportiva que estamos adquirindo. Por exemplo, quando fomos matriculá-los no inglês, falamos da importância da aquisição da língua para a educação das crianças, e que necessitávamos o maior empenho possível por parte da escola para que as crianças aprendessem bem e rápido, pois dependíamos disso para adquirir materiais melhores e oportunidades acadêmicas mais amplas para nossos filhos. Funcionou bem. Temos reuniões frequentes e individualizadas com a coordenadora, monitorias quando percebem que não estão acompanhando, avaliações constantes, e muita atenção e dedicação por parte do corpo docente. Assim é também em cada uma das escolas de esportes que praticam. Temos conquistado a simpatia dos professores de todos os tipos para a Educação Domiciliar.

Acredito que atualmente seja muito mais fácil falarmos que praticamos homeschooling, do que há exatos 5 meses atrás. O grande refresco para nossas preocupações foi dado pelo ministro Barroso, quando suspendeu todas as ações contras as famílias homeschoolers até que seja julgada a constitucionalidade da modalidade.

Então, hoje temos total liberdade de falarmos, e a incrível oportunidade de aproveitarmos todos os momentos para fazermos uma propaganda pró ativa em favor da Educação Domiciliar. Portanto encorajo você que é homeschooler, não deixar de mencionar no supermercado, na livraria, na festa, no shopping, para os vendedores, e por onde mais passar, sobre o homeschooling ,suas características e seus benefícios. Dessa maneira estará ajudando a difusão do movimento e, por tabela, a sua família também!

E lembre-se: sejamos corajosos, prontos para lutar por algo que acreditamos  verdadeiramente!

Ser pioneiro…ônus e bônus

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Por Renata Santos

Com muita frequência me sinto como uma tropeira: me vejo de facão na mão, abrindo passagem no meio da mata fechada, conduzindo um monte de gente, carregando suprimentos e administrando a logística da empreitada.

Muitas vezes me vejo coberta de suor, extenuada pela caminhada dura, preocupada com as intempéries, mas sempre perseverante de que o ponto de apoio está próximo e com ele o descanso merecido.

São tantas responsabilidades, que se fossem colocadas e pontuadas em meu caderno de anotações, certamente faltariam folhas. Então, as guardo em minha mente, relembrando-as repetidamente enquanto caminho.

Reconheço que ser uma tropeira tem suas vantagens como conhecer lugares lindos, que muitas vezes extrapolam qualquer pensamento do pessoal da cidade. Entender como as coisas realmente funcionam, e entre erros e acertos, tentativas acertadas e frustadas, adquirir experiência.

Sem dúvida nenhuma, é a própria lida das viagens é que traz a experiência: saber dá um nó correto para que não se desfaça, saber prever o tempo para não se arriscar desnecessariamente, saber qual equipamento levar e o que deve ser deixado, compreender os limites de seus companheiros de jornada. Tudo isso traz conhecimento, responsabilidade e segurança para sua tropa.

Ser tropeira também tem as suas desvantagens: trilhar caminhos desconhecidos podem levar a grandes percursos, maiores do que esperados. Há sempre a possibilidade de alguém se machucar ou ficar para trás, devido as dificuldades, fazendo com que o tropeiro se preocupe.

Existem murmurações, comparações, depreciações…mas uma boa tropeira escuta tudo e retem o que é bom, para sempre estar se aprimorando. É fácil dizer que o produto atrasou a sua entrega quando se está apenas esperando. Quem está viajando sabe a dificuldade que é manter os produtos  transportados intactos, guardados incólumes para que sejam apreciados em seu destino final.

Mas a verdade, mais verdadeira de todas é que a vida de tropeira é muito boa. Muito trabalho, muitas oportunidades, muitos relacionamentos, muito afeto, muito conhecimento, muito aprendizado. É estar em lugares que muita gente nunca foi e nunca irá. E sempre poder voltar, levando outras pessoas, entregando preciosidades para gente desconhecida, mas que aguarda confiante de que um dia irá aparecer.

Ah, esse homeschooling…

Indicação de livros

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A indicação de livros é um processo interessante e tem uma responsabilidade intrínseca: primeiro temos que ler de forma crítica, depois passar por vários crivos ( morais, intelectuais, filosóficos), para depois termo coragem de  indicá-los.

Tenho recebido muitos pedidos sobre indicações de bons livros clássicos e não clássicos para idades específicas. Como eu já sabia que a Educar estava planejando uma série de posts sobre isso, pedi a muitos que esperassem um pouquinho, pois existiam pessoas que estão fazendo esse trabalho precioso.

Então, aí está o primeiro post com as indicações para crianças pequeninas (e não tão pequeninas)!

Inicie ou complete sua biblioteca com essas excelentes dicas!

Dicas de livros: Educar

 

 

Aula de Artes- Estudando Pinturas

Por Gabriel Santos (13 anos)

Toda sexa-feira nós fazemos ou estudamos algo relacionado à arte (pintamos, estudamos sobre artistas, visitamos museus e exposições). No dia 28/10/16, vi um quadro que achei interessante, feito pelo artista Rembrandt.

Rembrandt foi um artista holandês que viveu em meados do ano de 1600. No início de sua carreira, ele fazia quadros que surpreendiam as pessoas, usando técnicas que nenhum artista tinha conseguido fazer até aqueles dias. Era conhecido por fazer autorretratos  e reproduzir pessoas em sua tela de forma muito realista.

Mas, com o surgimento de novos artistas e com a arte mudando, Rembrandt foi ficando esquecido, e suas obras foram se tornando desvalorizadas. Porém, para conseguir novamente a atenção das pessoas, ele criou quadros realmente incríveis e  extremamente difíceis. Um desses fantásticos quadros foi O FESTIM DE BALTAZAR, que surpreendeu a todos ao verem essa grandiosa obra.Resultado de imagem para o festim de baltazar rembrandt

Esse quadro retrata o acontecimento de Daniel 5.1-31, quando Baltazar (ou Belsazar) fazia uma festa para comemorar as riquezas e agradecer ao deus do ouro, do ferro, do bronze, da madeira e da pedra por tudo que tinha. Então, na mesma hora apareceu uma mão e escreveu na parede as palavras: “Mene, Mene, Tekel, Parsin“.

Baltazar, temeroso, chamou o profeta Daniel para interpretá-las. Ele interpretou-as assim: “Contou Deus o teu reino e deu cabo dele. Pesado foste na balança e achado em falta. Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas”.

Rembrandt gostava de representar seus quadros resgatando o clímax do acontecimento, capturando as emoções das pessoas e suas reações em relação ao ocorrido. Podemos justificar esse argumento observando a mulher derramando o vinho em suas vestes, pelas expressões dos convidados e pela reação do rei ao ver a escritura na parede.

Esse artista tinha uma uma qualidade especial que dava fama aos seus quadros; uma característica que nenhum outro pintor tinha: reproduzir a pele humana. Note que em Baltazar (principalmente em seu rosto), Rembrandt fez a pele afetada pela velhice, com rugas e marcas.

Também, Rembrandt gostava de alternar a tinta para pintar as roupas das pessoas. Usava tintas mais grossas para representar as túnicas e vestimentas. Já para o cenário, usava tintas mais suaves para destacar o ocorrido principal da cena.

Com a arte moderna, o desenvolvimento tecnologia e com a falta de cultura e educação da sociedade, passou-se a esquecer pinturas tão belas e parou-se de desenvolver o apreço pelo talento dos pintores antigos.

Filosofia educacional subjacente às metodologias adotadas na Educação Domiciliar- Parte 3

livros

Seguimos a nossa série que aborda as principais filosofias que sustentam a nossa prática na Educação Domiciliar e também as metodologias empregadas na escolas. Lembre-se de que a análise é realizada sob uma ótica cristã. Caso ainda não tenha visto, dê uma olhadinha na Parte 1 e a Parte 2.

Naturalismo Romântico

O naturalismo romântico valoriza a liberdade individual para o desenvolvimento do potencial da pessoa, tendo como alvo, a auto-afirmação. A auto-realização e afirmação devem ser produzidas por meio de diversos processos de desenvolvimento da educação que enfatizem a expressão criativa. Os que defendem essa posição incluem John Holt, Ivan Lich, A, S. Neill e Carl Rogers. As atividades de aprendizado são baseadas nas necessidades sentidas e reais da pessoa, identificadas com ajuda de outras pessoas. O currículo produz um ambiente livre de aprendizado com a maximização de auto-expressão e criatividade artística.O professor é um visionário que oferece espaço para a autodescoberta e pesquisa por parte de outros. Os professores são suficientemente permissivos e apoiadores, dando liberdade para o aprendizado. Os alunos são vistos como flores que desabrocham, sem o impedimento da sociedade. São estimulados a aprender em uma variedade de modos, conforme melhor se dispõe como indivíduos. O ambiente ideal para a educação inclui a escola livre, a sala de aula aberta, o mundo aberto e o lar, onde o estudante está livre da competição intensa, disciplina severa ou do medo do fracasso. Tais ambientes são de clima laissez faire (deixe passar) ou “descolado”, onde a escolaridade é ligada à rigidez e imposição. O naturalismo romântico é recomendável em sua preocupação com o indivíduo, a liberdade humana, a estética e a criatividade. Pode ser criticado pela negação da responsabilidade e autoridade do professor de compartilhar sabedoria e direção necessárias. Com sua ênfase na liberdade, os românticos negam a realidade do pecado humano, bem como a necessidade de disciplina.

Existencialismo

O existencialismo como filosofia educacional enfatiza a busca interior por significado da própria existência na realização da autenticidade pessoal. Defensores do existencialismo na educação incluem Maxime Greene, Martin Buber e Carl Rogers. O conteúdo da educação existencialista é centrado nos temas da condição humana com atividades de aprendizado livres de empecilhos racionais. Essas atividades são programadas para libertar o indivíduo para encontrar a si mesmo. O currículo inclui oportunidades de introspecção e reflexão num ambiente livre para o aprendizado e aberto a mudanças. O professor é um colega do estudante na indagação e participante na jornada por significado. O professor é uma pessoa autêntica e madura e profunda em sua compreensão de vida. O aluno é pessoa em busca do significado de sua própria existência e está aberto a indagações e questionamentos. O ambiente ideal para esse aprendizado profundo deverá permitir o encontro pessoal que examina o mundo interior. Uma sala de aula onde são valorizadas a reflexão e a introspecção oferece esse ambiente, mas outros também podem ser imaginados. O existencialismo como filosofia educativa pode ser recomendado por sua preocupação com o indivíduo e o lugar da escolha pessoal. Valoriza a autenticidade e integridade, enfatiza responsabilidades pessoais e estimula a criatividade bem como as descobertas pelos alunos. O existencialismo se revolta contra tendências materialistas e conformistas da sociedade moderna e reconhece a presença da alienação. Mas os existencialistas podem ser criticados quando o foco no indivíduo diminui a autoridade do professor. Pode levar a uma posição exageradamente introspectiva, reduzindo a realidade a categorias relativas de experiências e desprovidas de absolutos universais. O foco existencial sobre a existência pessoal e a escolha como maior valor pode diminuir o lugar da existência e escolha de Deus. A verdade, nesta filosofia, pode estar sempre em expansão, sem possibilidade de continuidade na herança cristã.

Terminamos enfim as filosofias. Em um próximo post, estarei relacionando algumas das metodologias mais usadas na Educação Domiciliar com as filosofias. Até breve!

 

O dia-a-dia do homeschooling: altos e baixos.

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Por: Renata Santos

A educação domiciliar é maravilhosa, não tenho nenhuma dúvida disso! Se perguntar a qualquer pai verdadeiramente envolvido no homeschooling sobre os resultados do ensino domiciliar na vida de seus filhos, ele dirá convictamente que é uma modalidade eficiente. É sempre bom relembrar que os frutos colhidos são mais amplos que os acadêmicos, embora existam excelentes frutos acadêmicos.

Também é sabido, para quem já pratica o homeschooling ou está pesquisando sobre o assunto, que gratificante não é sinônimo de facilidade, aliás nem de longe essas duas palavras andam juntas no que diz respeito ao dia-a-dia.

Mais uma vez não pensem que estou falando em dificuldades acadêmicas…aposto que tem gente pensando:”Viu só, eu não vou dar conta..não sei matemática, ou química…imagina a física?”. Não, realmente não me refiro a isso. Conteúdos, disciplinas, rotinas, cronogramas, aulas, tudo isso é pequeno diante do maior desafio que encontramos em nossos filhos: seus corações.

Eu mesma digo que existem dias fabulosos no homeschooling e dias não tão esfuziantes. Mas a verdade é que em um único dia, existem momentos fabulosos e momentos não tão esfuziantes. Ouso até traçar um paralelo com nosso próprio humor: oscilamos em único dia entre o bom humor e o mau humor..algumas pessoas mais, outras menos. A estabilidade do nosso humor é quase inexistente, pois fatores extrínsecos e intrínsecos nos afetam, mobilizando uma série de neurotransmissores que afetam o nosso humor. Associando a isso uma natureza caída, pode-se dizer que só a graça de Deus para nos mantermos mais estáveis.

E assim ocorre com todos os integrantes do homeschooling durante o dia: eu e as crianças oscilamos entre momentos alegres, divertidos, engraçados, pitorescos, cheios de motivação e momentos árduos, de preguiça, de cobrança, de correção, de disciplina.

Quem não tem uma criança que levanta com a cara fechada? Que implica com as outras? Que não empresta? Que chora à toa? Que grita mãe, mãe o tempo todo, só para ver se você está por perto? Que se acha injustiçada o tempo inteiro? Que acha que você ama o irmão (a) mais do que a ele (a)? Que murmura o tempo inteiro? Que não quer trabalhar e fica dizendo que já fez o serviço ontem e que agora é a vez do irmão(a)?

Essa é a verdadeira dificuldade do homeschooling: tratar os corações. Levá-los aos pés da cruz. Fazê-los reconhecer que são pecadores e carecem urgentemente da misericórdia de Deus e da salvação de Cristo. O resto é resto (como diz minha mãe). Mas não desanime, essa é a nossa primeira e verdadeira missão, e embora tenha situações que chegam a nosso limite, temos a quem recorrer em momentos de tribulações.

Hoje, depois de muito tratar pecados, apartar discussões, de disciplinar, de aconselhar, tudo isso em meio ao almoço, roupas para lavar e passar, e exercícios de matemática, física, história e geografia, resolvi escutar a palestra do Pastor Joel Beeke para edificar a minha alma que estava agitada pelos afazeres que se avolumavam. Uma palestra maravilhosa, que eu já tive a oportunidade de assistir pessoalmente  (Promovendo um lar santo).

Então minha filha, me pediu para fazer um chá da tarde e iniciou seus afazeres na cozinha: retirou a louça de chá, lavou e secou. Foi até a gaveta de toalhas e retirou uma linda toalha com guardanapos, pegou talheres no faqueiro. Pôs uma mesa de acordo com os ensinamentos que eu lhe dera.  Começou a fazer cookies e preparou um chá de frutas vermelhas que eu gosto muito. Enquanto isso, meus filhos estavam no andar de cima, aprendendo a tocar o violão e o teclado, tentando acertar o cântico “Eu quero ser, Senhor amado, como um vaso nas mãos do oleiro…”

Sentei-me na lavanderia para aproveitar o momento. Na verdade me sentei para colher os frutos. Orei, agradecendo ao Senhor por estar vendo o resultado de um trabalho contínuo,  da peleja de dias que me parecem às vezes tão difíceis. O Senhor aqueceu meu coração, me dizendo “…não to mandei eu? …sê forte e corajosa…eu estou contigo por onde quer que andares…”.

E então, sentamos à mesa, eu e Raquel, para tomar nosso chá das 16 horas. Meus filhos tocavam para nós os cânticos que ensaiaram enquanto nós, as meninas, tomávamos o chá. Minha filha me olhou e disse: “Nós nunca faríamos isso se estivéssemos na escola, pelo menos não no período de aula…”.

E aproveitamos o momento. O momento de estarmos juntos… o momento de colheita.

 

 

 

 

Como trabalhar a Produção de Texto?

 

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Por: Renata Santos

Algumas pessoas tem me perguntado sobre como tenho trabalhado redação com as crianças. Na verdade, trabalho da mesma forma com os três, mesmo minha filha tendo 10 anos e os gêmeos 13, logicamente fazendo a mais nova acompanhar o ritmo dos mais velhos (porque como poderão observar, ela dá conta).

No primeiro semestre do homeschooling deixei a escrita livre. Tínhamos dois horários na semana para a realização de uma composição de texto. Deixei-os escrever o que tinham vontade, livre de qualquer direcionamento de tema, tipo ou gênero textual. Eles se esbaldaram. O objetivo principal nessa fase foi de conquistar as crianças para se expressarem por meio da escrita, amarem redigir e valorizarem os livros que estavam lendo.

Por falar em livros, no semestre foram lidos vários e vários livros, grandes e pequenos, de prosa, poesia e contos, biografias, clássicos e não clássicos. Mas sempre de alta qualidade. Nada desses livros comerciais, de diálogos pobres com enredos repetitivos e repletos de ensinamentos duvidosos.

Nessa fase, “brincávamos” um pouco com os temas a serem abordados: cada um sugeria 3 temas em pequenos papeis que eram dobrados e sorteados no dia da redação; a inspiração vinha de alguma música clássica (Prokovief é ótimo para isso) ou de algum quadro. A imaginação foi o nosso limite, e de lá saíram excelentes textos. A leitura do texto para a família era um prazer que motivava a elaboração cuidadosa do texto. A correção era feita em conjunto comigo antes da leitura.

Então fui observando, que na medida em que liam um livro, pediam para escrever algo semelhante: poesias, fábulas, narrativas descritivas… e todos eles decidiram se aventurar em escrever um livro ( nas horas vagas!), como um hobbie. Claramente o objetivo foi alcançado.

No segundo semestre, após conquistar o coração de meus filhos para a leitura e escrita, decidi formalizar o ensino da redação para potencializar o talento deles. Depois de muito procurar ( não encontrei um manual de redação apropriado para crianças maduras na linguagem em português), achei um livro pequeno, mas com o conteúdo que estava procurando. Chama-se Gêneros Textuais: práticas de Leitura Escrita e Análise Linguística, de Vanilda Salton Koche e Adiane Fogali Marinello. Embora o nome possa assustar, o livro é constituído por apenas 9 capítulos (Introdução, Gêneros textuais e tipologias textuais, Apólogo, Crônica, Conto Popular, Lenda, Mito, Artigo de opinião, Artigo de Divulgação Científica). Cada capítulo possui uma explicação teórica (leio e repasso para eles os principais pontos) e exercícios com textos clássicos de nossa literatura principalmente.

Então, temos trabalhado assim: estudamos a parte teórica, realizamos os exercícios e redigimos textos do assunto que abordamos. Tem funcionado bem. Associados a tudo isso, o hábito forte da leitura diária.

Então, para terem uma ideia de um texto narrativo descritivo elaborado por uma menina de 10 anos, coloco aqui o primeiro capítulo do livro (sem título ainda) que ela está escrevendo. Fiz algumas correções de pontuação e acentuação apenas (sempre ensinando algo, por exemplo a não separar o sujeito do predicado com a vírgula, ou ensinando o que é crase). Os adjetivos tem sido adquiridos das leituras e ela tem se deliciado no dicionário de sinônimos! O nome da cidade vem da associação de duas palavras em latim. A diagramação da página, ela mesmo elaborou baseada na observação dos livros que tem lido ( uma pena que o blog não consiga colar com as fontes que ela escolheu, nem respeitar os parágrafos…)

 

                        A descoberta entre as macieiras     

 

. Capítulo: 1

Era um dia escuro, em que as gotas de orvalho repousavam sobre as plantas. Alicia estava sentada sobre uma cadeira feita de palha, com madeira rustica. Seus olhos tinham cor de mel e seus lábios eram vermelhos como a mais fina rosa, seus cabelos balançavam em seu rosto quando a brisa soprava. Seus olhos estavam fixados em sua irmã que buscava alimento. E constantemente gritava o nome da irmã:

– Lítza! Volte para casa!

Lítza era uma jovem cuja beleza era parecida com a da irmã. Um arco e flecha fino feito de teixo se encontrava em suas mãos, e em suas costas estava uma aljava feita de couro que guardava cinco delgadas flechas que poderiam passar pelas costelas de qualquer um. Estava fora de casa pois caçava. Lítza ergueu seu arco e esticou a corda até a boca, estava mirando em uma corça não muito grande, da qual aperna dianteira esquerda estava machucada. Ao agachar na grama baixa, segurou a respiração. Os gritos de sua irmã a perturbavam, mas não perdia a concentração. Quando soltou a corda, sua flecha voou rapidamente, até acertar o animal. Terminando de esfolar a corça, colocou-a dentro de um saco surrado marrom. Chamando sua irmã para ajudar a carregar o saco, Alicia perguntou:

-Posso pegar umas maçãs no pomar da floresta? Talvez possamos vendê-las em Linmaque.

Alícia apenas queria fazer um agrado a irmã.

-Tudo bem querida, eu te agradeço, mas primeiramente ajude-me a levar a corça para casa, sim?

Assim elas arrastaram o saco sobre a fina e curta relva no morro em que sua casa ficava. Alicia pegou um lírio, cor de carmesim amarelado, e o cheirou. Com isso ela lembrou-se de seus pais, fazendo com que escorresse uma solitária lágrima dos seus belos olhos. Lítza olhou para sua irmãzinha, já sabendo o motivo das amargas lágrimas.

Quando elas chegaram, Alicia pegou delicadamente uma cesta de palha forrada com um pano branco. Dando um caloroso abraço na irmã, se dispôs a sair alegre pela porta de trás da casa. Alícia não passava de uma figura feliz no meio de uma terna floresta escura e bucólica. Pulando sobre as águas de um pequeno riacho ela avistou a macieira mais próxima e foi em sua direção. Com os cabelos em seu rosto por causa da ventania começou a colher maçãs de modo muito rápido. Ela avistou um brilho, cor de azul cobalto, que ofuscava seus alegres olhos. Curiosa abriu uma passagem entre as plantas com suas pequeninas mãos. Ao encostar seu rostinho entre as plantas avistou um utensilio que parecia ser um colar. Alícia admirada pelo magnífico objeto soltou um leve gritinho de seus lábios. Mais curiosa ainda, ela resolveu averiguar o objeto. Apurou os olhos para enxergar melhor. Conseguiu avistar pequenas letras escritas em uma língua muito estranha.

-O que e isto?  – Pensou ela.

Seus olhos estavam ainda focados no objeto

-Para que serve isto? E que letras escritas são essas? Não consigo entendê-las, parecem estar escritas em outra língua… talvez Lítza consiga ler – afirmou.

-Bom, não tenho tempo para pensar nisso, tenho que voltar para casa.

Pegando a cesta com as maçãs tão vermelhas quanto seus lábios, saiu a correr pelo mesmo caminho que viera.

Quando abriu a porta viu que Lítza a esperava sentada na cadeira de balanço, organizando seus novelos de lã brancos em sua caixa de costura.

-Alicia, é você querida?

-Sim…eu mesma. – Falou Alicia enquanto colocava a cesta na bancada de madeira.

-Você correu? Consigo ouvir sua respiração daqui.

Ao ouvir o comentário da irmã, Alícia diminuiu o ritmo de sua respiração e se sentou na pequena poltrona branca à sua esquerda.

-Parece estar pensativa… você viu alguma coisa…diferente? Perguntou Lítza com um certo interesse.

-Sim. – Disse Alicia com os olhos no teto de madeira.

-Interessante… o que viu exatamente? Exprimiu ela sem muita hesitação.

Alicia tirou do bolso de seu vestidinho surrado o objeto azul cuja aparência era parecida com a de um colar.

-A.…Alicia onde achou isso?-Perguntou Lítza com o dedo indicador apontado para o objeto azul.

-Atrás da macieira, entre os arbustos. Gostaria que me falasse… o que significam estas palavras.

Alicia deu o colar a Lítza.

-Bem, enquanto tento ler que tal você lavar as mãos? Daqui a pouco servirei o jantar.

-Tudo bem. – Disse Alicia com sua doce voz.

Enquanto se encaminhava até a cozinha, deixava marcas de pezinhos pretos por toda a casa. Quando enxugou as mãos conseguiu ouvir Lítza resmungando baixinho que não conseguia entender as palavras. Voltando para a sala, Alicia perguntou o significado das palavras com um certo desdém, já sabendo a resposta.

-Desculpe querida, não entendi nem uma palavra. Vamos jantar?

O chamado pela comida gritou mais alto fazendo com que Alicia cantasse alegremente.