Maternidade x Homeschooling: A Chegada de um Bebê

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Renata Santos

Muitas mães me perguntam como consigo estabelecer uma rotina com um bebezinho pequeno. Algumas, acredito para serem encorajadas e se certificarem de que aumentar a família é viável no homeschooling. Outras, talvez acostumadas com uma rotina que já fluía “liso”, e se veem perdidas quando um bebezinho entra como novo fator na equação.

O fato é que com o nascimento de um novo membro, toda a rotina da casa se reestrutura, havendo homeschooling ou não. A diferença é que as mães homeschoolers geralmente estão sozinhas em sua jornada, sem alguém para ajudar no trato com o bebê ou na faxina da casa. O bom andamento da casa, dos estudos e o cuidado com o bebê dependem 100% dela, e isso pode sobrecarregar não somente fisicamente, mas também emocionalmente.

Amo o homeschooling porque ele me deu a oportunidade de ampliar a minha família sem maiores estresses com despesas, afinal a escola é a maior conta no orçamento quando se tem muitos filhos. A Ana chegou com uma diferença de 12 anos de sua irmã seguinte, então talvez a minha experiência seja um pouco diferente do que a maioria das famílias que preferem engatilhar seus filhos no “modo escadinha”! Mas vou contar aqui um breve relato da nossa experiência familiar, pois acho que poderá contribuir um pouquinho para a sua experiência familiar.

Quando ela chegou no final de novembro, as atividades programadas para o semestre se encerraram e foram vencidas a tempo. Então, dei 3 meses completos para que todos nós pudéssemos apreciar a experiência que é tão marcante e importante em nossas vidas. Na verdade, o homeschooling mudou um pouco o foco, e passou a ensinar como é ter um bebê na vida de uma família. As “crianças” aprenderam demais: que o bebê é muito fofo, mas demanda muito de todos; que geme a noite toda, impedindo quem está no quarto de dormir; que acorda e chora de madrugada, que faz xixi o tempo todo e precisa ser trocado; que necessita banho e que se tenha muita higiene com suas coisas; aprenderam a segurar e embalar; e o mais legal: a interpretar suas necessidades que são manifestadas por meio de choros diferentes. E nesses 3 meses eles aprenderam tudo isso, pois foram totalmente imersos na experiência. Do que vale profundo academicismo sem a preparação para uma vida vida real? Um adolescente que sabe falar sei lá quantas línguas , mas não sabe trocar uma fralda ou dar um banho em um bebê? Não é isso que desejo para meus filhos.

Quando reiniciamos nossas atividades mais formais, a neném foi acostumada a permanecer em sua cadeirinha de descanso na sala que estudamos. Assim ficava por algum tempo, e cada um carregava um pouquinho quando ela se cansava. A criança que estava livre, era a que carregava. Eles também ficavam com Ana para que eu fizesse o almoço e também pudesse descansar (oh glória!).

A Ana já se acostumou a ser carregada para o quadro, a ficar sentada em cima do mapa mundi, a assistir apresentação, e aulas especializadas. Atualmente, com seus 9 meses, permanece brincando em meio aos estudos, e se sente terrivelmente atraída por cadernos, livros e lápis em geral. Quando escuta a música da Timeline já dá um enorme sorrisão na introdução, e ama ver um flashcard! Creio que o HS fluirá muito mais facilmente para ela. Também acredito no envolvimento dos irmãos mais velhos no aprendizado quando ela crescer mais um pouco, porque realmente as coisas acontecem muito naturalmente.

Pensando aqui com os meus botões, depois de 9 meses de caminhada, penso que o grande segredo para administrar a chegada de um bebê é: parar tudo, ou simplificar ao máximo. É compreender que o nascimento é homeschooling, aplicado de uma maneira tão vívida, que jamais nenhuma escola poderia ensinar. 

Aliás, o nascimento, a doença e a morte, são partes tão importantes da vivência familiar, mas ao mesmo tempo tão apartados de nossas crianças. Não me esqueço da mesa redonda que participei da Conferência Global no Rio, chamada família. Nela assisti um depoimento de uma mãe que mostrou toda a história de sua linda família homeschooler, e vimos em apenas 20 minutos, a história de vida de um pai diagnosticado com uma doença degenerativa. Vi um homeschooling girar em torno do enfraquecimento progressivo de um pai, antes viril e atuante como advogado de famílias homeschoolers. Fotos de um pai na cadeira de rodas indo a apresentações da comunidade, e logo depois na cama com seus filhos em volta. Ouvi o relato de sua morte. A mãe, ao final, disse que a doença moldou o homeschooler familiar, gerando um aprendizado e uma intimidade espiritual em seus filhos inimagináveis. Eu fiquei em prantos, aliás todos nós fomos profundamente tocados pela sabedoria e gratidão da mãe. Mas sai com essa lição: a vida comum do lar é para ser vivida em sua intensidade. 

Portanto, se você acabou de ganhar um bebê ou está prestes a dar as boas vindas ao mais novo integrante da família, dê tempo ao tempo. Curta seu bebezinho e deixe sua família curtir também. Deu para fazer o programado? Ótimo. Não deu? Ótimo também. Durante quanto tempo? O quanto você precisar. Aqui em casa foram 3 meses, mas na sua casa pode ser menos ou mais. Não se preocupe com que os outros vão pensar dessas mega férias acadêmicas, pois seus filhos estão aprendendo a serem pessoas mais virtuosas, bons cônjuges e pais. Não existe melhor coisa para se almejar!

 

 

 

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Homeschool x Maternidade: Gravidez

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Por Renata Santos

Estou em processo de retorno de minhas atividades –  a paradinha foi necessária para gerar, parir e “puerperar”. Para aqueles que não nos acompanham pessoalmente ou pelo face, somos pais de mais uma linda filha que o Senhor nos concedeu: Ana, que significa cheia de graça.

A chegada da Aninha em nossas vidas tem sido uma alegria e gostaria de fazer um relato sobre como foi a gravidez e o nosso homeschooling.  Em um próximo post, falarei sobre como é ter um bebezinho em meio a rotina de estudos.

O homeschooling é maravilhoso, aliás, foi ele um dos fatores preponderantes para que ampliássemos nossa família.  Quando fomos convencidos de que deveríamos retomar a educação integral de nosso filhos, um novo mundo se descortinou. Vários paradigmas foram quebrados e revistos, e um deles era a preocupação excessiva com “o que vestir e o que comer” (Mt 6:25 e 1 Tm 6:8).

Nessa área, estávamos influenciados por filosofias seculares. Não poderíamos ter mais filhos, porque estávamos preocupados demais em como pagaríamos a escola, o convênio, as infinitas aulas extracurriculares, a futura faculdade, o intercâmbio quando adolescentes, as férias no exterior. Graças a Deus, fomos desenformados pelo conhecimento do que Ele deseja para uma família, e aprendemos que a simplicidade e a presença constante dos pais seriam suficientes para dar uma exímia educação (valores+ academia) aos nossos filhos. E viveríamos de modo mais frugal, nos alegrando nas pequenas coisas, como chamar um delivery e assistir um filminho em casa.

“4 filhos???” é a frase que mais escuto, associada a uma cara de espanto. Já me perguntaram se eram do mesmo casamento, se foi uma escapada (?), se vamos tomar alguma providência contraceptiva mais definitiva, e coisas do gênero. É triste saber que o mundo com suas exigências tem restringido tanto a família, a ponto de parecer loucura ou irresponsabilidade se regozijar no que Deus nos deu de mais precioso.

E então, no começo de 2017 fomos agraciados com a notícia de um bebê. Após 2 abortos espontâneos, a notícia foi comemorada por toda a nossa família: avós, tios, primos. Para mim foi mais um momento ímpar em minha vida, gratidão por uma oração atendida.

A gravidez foi inserida diretamente no homeschooling, a partir do positivo. A gestação virou pauta de muitos estudos: estudamos as Leis de Mendel para saber qual seria a probabilidade de que Ana tivesse os olhos claros como sua avó materna; acompanhamos seus desenvolvimento semana a semana e estudamos embriologia; estudamos praticamente todos os sistemas do corpo humano; investigamos os tipos de parto, as diferenças para a cesárea; vimos as doenças que uma gestante não pode ter e suas consequências na vida de um bebê em formação; se interessaram pelo ultrassom e suas imagens. Queriam saber a origem dos enjoos, dos inchaços, dos benefícios da dieta com poucos carboidratos e sua relação com a glicemia.

As crianças passaram a acompanhar como era o dia a dia de uma gestante: os enjoos dos primeiros meses, os desejos, as restrições, o cansaço, o corpo se transformando, o humor oscilando. Um verdadeiro aprendizado. Veja bem, quando temos em escadinha, como foi aqui em casa com os 3 primeiros, os irmãos tem pouca dimensão do que é uma gravidez. Mal conseguem associar que o neném que estão conhecendo, era a barriga de ontem. Mas quando podemos ter a oportunidade de ter vários filhos ou dar um tempo maior entre eles, a lição da gravidez pode ser levada para suas vidas adultas. Nossos meninos saberão das limitações de suas futuras esposas e agirão com amor, pois observaram o companheirismo e o carinho do pai durante a gestação. Para nossa filha, a mudança de um corpo que abriga uma vida, o pré natal, o parto, não será novidade. Viveram intensamente a gravidez comigo. Isso é homeschooling.

Quanto a nossa rotina, posso afirmar que ela certamente foi afetada. Mas mais uma vez a flexibilidade do homeschooling foi maravilhosa! O Senhor foi muito bom, pois meus enjoos foram noturnos, diferentemente das gestações anteriores (antes de abrir os olhos pela manhã eu já estava no banheiro)! Então consegui manter o ritmo da casa e dos estudos até os 7 meses.

A partir daí o cansaço começou a bater. Uma solução foi começar a acordar um pouco mais tarde para compensar as noites mal dormidas, e nos recolher um pouco mais tarde também. As tarefas que requeriam um acompanhamento maior eram realizadas pela manhã, e as mais fáceis, à tarde quando eu tirava um cochilo. Ao final da tarde, corrigia as atividades e repassa individualmente os exercícios que tiveram dificuldades. Como estão na idade de andar na rua sozinhos, iam e voltavam das atividades extracurriculares. Os jantares ficaram mais práticos, e a dieta mais calórica (rs). As crianças assumiram as refeições quando eu estava cansada, e me surpreendi com a variedade dos pratos.

Interrompemos os estudos no dia do nascimento e agora, após 2 meses, estamos retomando. As férias coincidiram com o final de ano e janeiro, então foi perfeito: acampamento, casa dos avós, visita dos amigos…

E agora inciamos uma nova etapa. Um bebê pequeno e a retomada dos estudos e das atividades que exerço em casa. Logo estarei fazendo o relato de como andam as coisas para que outras mães se sintam encorajadas e acalentadas. Não há mistério nenhum. É a vida como ela deve ser vivida, em sua totalidade pelo integrantes da família.

Um grande abraço de uma feliz mãe de 4.

Aula de Artes- Estudando Pinturas

Por Gabriel Santos (13 anos)

Toda sexa-feira nós fazemos ou estudamos algo relacionado à arte (pintamos, estudamos sobre artistas, visitamos museus e exposições). No dia 28/10/16, vi um quadro que achei interessante, feito pelo artista Rembrandt.

Rembrandt foi um artista holandês que viveu em meados do ano de 1600. No início de sua carreira, ele fazia quadros que surpreendiam as pessoas, usando técnicas que nenhum artista tinha conseguido fazer até aqueles dias. Era conhecido por fazer autorretratos  e reproduzir pessoas em sua tela de forma muito realista.

Mas, com o surgimento de novos artistas e com a arte mudando, Rembrandt foi ficando esquecido, e suas obras foram se tornando desvalorizadas. Porém, para conseguir novamente a atenção das pessoas, ele criou quadros realmente incríveis e  extremamente difíceis. Um desses fantásticos quadros foi O FESTIM DE BALTAZAR, que surpreendeu a todos ao verem essa grandiosa obra.Resultado de imagem para o festim de baltazar rembrandt

Esse quadro retrata o acontecimento de Daniel 5.1-31, quando Baltazar (ou Belsazar) fazia uma festa para comemorar as riquezas e agradecer ao deus do ouro, do ferro, do bronze, da madeira e da pedra por tudo que tinha. Então, na mesma hora apareceu uma mão e escreveu na parede as palavras: “Mene, Mene, Tekel, Parsin“.

Baltazar, temeroso, chamou o profeta Daniel para interpretá-las. Ele interpretou-as assim: “Contou Deus o teu reino e deu cabo dele. Pesado foste na balança e achado em falta. Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas”.

Rembrandt gostava de representar seus quadros resgatando o clímax do acontecimento, capturando as emoções das pessoas e suas reações em relação ao ocorrido. Podemos justificar esse argumento observando a mulher derramando o vinho em suas vestes, pelas expressões dos convidados e pela reação do rei ao ver a escritura na parede.

Esse artista tinha uma uma qualidade especial que dava fama aos seus quadros; uma característica que nenhum outro pintor tinha: reproduzir a pele humana. Note que em Baltazar (principalmente em seu rosto), Rembrandt fez a pele afetada pela velhice, com rugas e marcas.

Também, Rembrandt gostava de alternar a tinta para pintar as roupas das pessoas. Usava tintas mais grossas para representar as túnicas e vestimentas. Já para o cenário, usava tintas mais suaves para destacar o ocorrido principal da cena.

Com a arte moderna, o desenvolvimento tecnologia e com a falta de cultura e educação da sociedade, passou-se a esquecer pinturas tão belas e parou-se de desenvolver o apreço pelo talento dos pintores antigos.

O dia-a-dia do homeschooling: altos e baixos.

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Por: Renata Santos

A educação domiciliar é maravilhosa, não tenho nenhuma dúvida disso! Se perguntar a qualquer pai verdadeiramente envolvido no homeschooling sobre os resultados do ensino domiciliar na vida de seus filhos, ele dirá convictamente que é uma modalidade eficiente. É sempre bom relembrar que os frutos colhidos são mais amplos que os acadêmicos, embora existam excelentes frutos acadêmicos.

Também é sabido, para quem já pratica o homeschooling ou está pesquisando sobre o assunto, que gratificante não é sinônimo de facilidade, aliás nem de longe essas duas palavras andam juntas no que diz respeito ao dia-a-dia.

Mais uma vez não pensem que estou falando em dificuldades acadêmicas…aposto que tem gente pensando:”Viu só, eu não vou dar conta..não sei matemática, ou química…imagina a física?”. Não, realmente não me refiro a isso. Conteúdos, disciplinas, rotinas, cronogramas, aulas, tudo isso é pequeno diante do maior desafio que encontramos em nossos filhos: seus corações.

Eu mesma digo que existem dias fabulosos no homeschooling e dias não tão esfuziantes. Mas a verdade é que em um único dia, existem momentos fabulosos e momentos não tão esfuziantes. Ouso até traçar um paralelo com nosso próprio humor: oscilamos em único dia entre o bom humor e o mau humor..algumas pessoas mais, outras menos. A estabilidade do nosso humor é quase inexistente, pois fatores extrínsecos e intrínsecos nos afetam, mobilizando uma série de neurotransmissores que afetam o nosso humor. Associando a isso uma natureza caída, pode-se dizer que só a graça de Deus para nos mantermos mais estáveis.

E assim ocorre com todos os integrantes do homeschooling durante o dia: eu e as crianças oscilamos entre momentos alegres, divertidos, engraçados, pitorescos, cheios de motivação e momentos árduos, de preguiça, de cobrança, de correção, de disciplina.

Quem não tem uma criança que levanta com a cara fechada? Que implica com as outras? Que não empresta? Que chora à toa? Que grita mãe, mãe o tempo todo, só para ver se você está por perto? Que se acha injustiçada o tempo inteiro? Que acha que você ama o irmão (a) mais do que a ele (a)? Que murmura o tempo inteiro? Que não quer trabalhar e fica dizendo que já fez o serviço ontem e que agora é a vez do irmão(a)?

Essa é a verdadeira dificuldade do homeschooling: tratar os corações. Levá-los aos pés da cruz. Fazê-los reconhecer que são pecadores e carecem urgentemente da misericórdia de Deus e da salvação de Cristo. O resto é resto (como diz minha mãe). Mas não desanime, essa é a nossa primeira e verdadeira missão, e embora tenham situações que chegam a nosso limite, temos a quem recorrer em momentos de tribulações.

Hoje, depois de muito tratar pecados, apartar discussões, de disciplinar, de aconselhar, tudo isso em meio ao almoço, roupas para lavar e passar, e exercícios de matemática, física, história e geografia, resolvi escutar a palestra do Pastor Joel Beeke para edificar a minha alma que estava agitada pelos afazeres que se avolumavam. Uma palestra maravilhosa, que eu já tive a oportunidade de assistir pessoalmente  (Promovendo um lar santo).

Então minha filha, me pediu para fazer um chá da tarde e iniciou seus afazeres na cozinha: retirou a louça de chá, lavou e secou. Foi até a gaveta de toalhas e retirou uma linda toalha com guardanapos, pegou talheres no faqueiro. Pôs uma mesa de acordo com os ensinamentos que eu lhe dera.  Começou a fazer cookies e preparou um chá de frutas vermelhas que eu gosto muito. Enquanto isso, meus filhos estavam no andar de cima, aprendendo a tocar o violão e o teclado, tentando acertar o cântico “Eu quero ser, Senhor amado, como um vaso nas mãos do oleiro…”

Sentei-me na lavanderia para aproveitar o momento. Na verdade me sentei para colher os frutos. Orei, agradecendo ao Senhor por estar vendo o resultado de um trabalho contínuo,  da peleja de dias que me parecem às vezes tão difíceis. O Senhor aqueceu meu coração, me dizendo “…não to mandei eu? …sê forte e corajosa…eu estou contigo por onde quer que andares…”.

E então, sentamos à mesa, eu e Raquel, para tomar nosso chá das 16 horas. Meus filhos tocavam para nós os cânticos que ensaiaram enquanto nós, as meninas, tomávamos o chá. Minha filha me olhou e disse: “Nós nunca faríamos isso se estivéssemos na escola, pelo menos não no período de aula…”.

E aproveitamos o momento. O momento de estarmos juntos… o momento de colheita.

 

 

 

 

Eu não tenho tempo!?

Por: César Santos

Este Post está disponível em Áudio

Se você fizer a seguinTemo é dinheirote pergunta: quem deve educar as crianças? Verá que, para as pessoas de uma forma geral, este entendimento é totalmente confuso, pois tem sofrido uma significativa deturpação em consequência da visão absolutamente equivocada da estrutura familiar e das prerrogativas do Estado e da sociedade em geral.

O apóstolo Paulo, em sua carta a Igreja de Éfeso, dá uma exortação: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”(Ef 6.4). A responsabilidade primordial da educação das crianças é dos pais, não é da babá, da escola ou tão pouco da Igreja. Não é correto você delegar a outro, ainda que por meio de contratação ou vínculo empregatício, a responsabilidade de educar seus filhos.

Há uma justificativa imediata apresentada pela maioria dos pais: “mas eu não tenho tempo para ficar com meus filhos, eu tenho que trabalhar”. Devemos fazer algumas ponderações:

Você realmente tem que manter sua carga de trabalho por absoluta necessidade? Se o seu motivo para “ter pouco tempo com seus filhos” é realmente lhes prover a subsistência, se os recursos para arcar com os gastos essenciais como alimentação e saúde só serão obtidos com a manutenção de sua carga horária, então caberá a você aproveitar ao máximo o tempo em que estiverem juntos (viúvos, viúvas, pais solteiros e outros casos).

Porém, se sua família tem condições de se manter sem uma ausência longa dos pais, especialmente da mãe, se o ponto principal que te mantém ausente é satisfação pessoal, realização profissional, obtenção de reconhecimento, prestígio ou elementos não vitais como aquisição de bens, viagens,  medo do porvir ou insegurança (financeira), lembre-se: o seu tempo com seus pequenos (me refiro aos anos em que eles estarão com você até saírem de casa) é pouco, passageiro e muito precioso.

O casal deve se sentar e conversar, como já vimos (posts anteriores), deve traçar um planejamento e fazer um levantamento de quanto tempo efetivamente tem passado em família.

Lembre-se que este momento de acompanhamento em tempo integral de seus filhos é uma oportunidade fugaz. Já vimos que normalmente nossos filhos ficam conosco até a conclusão de seu ensino acadêmico que pode ser técnico ou universitário. Porém bem antes deste momento, por volta dos 16 anos, sua autonomia e desenvoltura associados a responsabilidade junto a sociedade, seus conceitos e valores fundamentais, normalmente já estão plenamente desenvolvidos. Lembro aos jovens casais que vocês ainda terão muitos anos pela frente e nesses dias ansiarão por ter mais tempo com os filhos, mas eles terão muitas atividades e responsabilidades que lhes tomarão tempo. Uma grande oportunidade terá passado.

Obviamente que nunca é tarde para se iniciar, mas devo reforçar a seguinte exortação: Organizem-se a fim de que durante os preciosos anos da infância de seus filhos a sua presença seja a mais constante possível. Lembre-se do paradigma ou conceito social que devemos quebrar “tempo é dinheiro”. Devemos ter coragem de crer na verdade declarada na Bíblia no livro de Provérbios que “melhor é o pouco, havendo o temor do SENHOR, do que grande tesouro onde há inquietação” (Pv 15.16). Estes poucos anos nos quais vocês vão abrir mão de maiores proventos financeiros ou acadêmicos terão um retorno de valor incalculável que é a formação de seus filhos.  Um abraço César Santos.

Será que consigo?

“Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá…O Senhor firma os passos de um homem, quando a conduta deste o agrada; ainda que tropece, não cairá, pois o Senhor o toma pela mão.”
‭‭Salmos‬ ‭37:5, 23-24‬ ‭NVI‬‬

Uma mãe me disse que ela e o seu marido tomaram a decisão de educar seus filhos em casa.  Ela quer fazer, ela acha que é a decisão certa para a família deles, que é a vontade de Deus.  Mas ela tem dúvidas, perguntas, e até preocupações.  Talvez você também tenha.

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Será que vou conseguir dá conta da casa, do almoço, de lavar a roupa, e depois tudo isto, também educar os filhos?  Será que vou falhar?  Será que a casa vai cair em ruínas?

Deixe-me compartilhar com você algumas palavras de encorajamento:

  • Se Deus chamar, Ele capacita.  Entregue o seu caminho ao Senhor.  Você experimentará (de novo) que Deus abençoa fidelidade.
  • Educação em casa vai mudar a sua vida completamente.  Para o bem! Você vai aprender a priorizar o que realmente importa.
  • Vai ter ocasiões quando você não vai conseguir dar conta de tudo, pelo menos não do jeito que você queria. Isto acontecerá especialmente no início, e também em momentos tais como  uma gravidez difícil, ou uma mudança de casa. , pelo menos não do jeito que você queiria.  Mas você vai aprender como lidar com isso.
  • Você vai aprender humildade, porque vai reparar em quanto você precisa de ajuda de outros.  Tem que aprender de aceitar ajuda quando alguém oferecer: seu esposo, seus filhos, sua mãe, uma amiga, uma irmã na igreja. Ou, talvez você vai ter que pedir ajuda deles.
  • Vai ter que pedir ajuda de Deus, que vai melhorar sua vida de oração. Eu me lembro como, quando estava grávida, e me faltou muito a paciência, eu precisava correr para o meu quarto para orar, duas ou três vezes numa manhã só. (E talvez chorar um pouquinho, e respirar fundo.)
  • Seus filhos vão crescer aprendendo que fazer parte de uma família significa contribuir para o bem da família. Eles precisam aprender que cada um deve ajudar no trabalho da casa. Vão aprender a lavar louça e roupa, e o banheiro. Podem aprender a cozinhar.   Nossas filhas de 12 e 15 anos ficam responsáveis para o almoço uma vez na semana– planejar, cozinhar, e lavar a louça depois. Nosso pequeno filho de 6 anos tem a responsabilidade todo dia de verificar que os banheiros estão com papel higiênico suficiente. Nossa filha de 2 anos já está começando a ajudar a tirar a mesa.  Em todas as refeições, todos nossos filhos ajudam a pôr a mesa, tirar a mesa, lavar a louça, e varrer. Eu os ajudo quando posso😊, mas normalmente depois do almoço e jantar, eu tomo chá com o meu marido enquanto os nossos filhos arrumam a cozinha.
  • Achar um equilíbrio, e gerenciar as muitas responsabilidades e tarefas diferentes, vai se tornar menos difícil, e mais natural, na medida que você vai acumulando mais experiência neste novo estilo de vida. A vida de educação em família debaixo da graça de Deus é uma grande bênção!

Como o autor Chaim Potok escreveu, “All beginnings are hard”, mas, como diz o Salmista, ainda que tropece, não cairá, pois o Senhor lhe toma pela mão.        Tamara Wieske