Aula:exercendo a cidadania.

IMG-20160322-WA0012

Ao contrário do que o senso comum afirma de que os filhos educados em casa são criados dentro de uma bolha (sempre me lembro daquele filme do Jhon Travolta em que ele tem uma doença imunológica no qual não pode ter contato com o mundo e vive em uma bolha de plástico…rs), o homeschooling nos dá tempo e liberdade para inseri-los na sociedade de uma forma mais efetiva.

Quando menciono a expressão mais efetiva, estou dizendo que as crianças não aprendem sobre o mundo  real estando restritas a uma sala de aula “ouvindo dizer”ou lendo em livros como as coisas funcionam lá fora. Na verdade, temos tempo para fazer diversas visitas e proporcionar vivências ímpares além de saboreá-las juntamente com nossos filhos.

Uma dessas oportunidades foi a participação em uma audiência pública na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, em que havia uma petição da população para o não fechamento de uma maternidade e de algumas unidades de atendimento básicas pertencentes aos SUS.

Lá, nossos filhos aprenderam uma gama de lições. Primeiramente aprenderam o que é uma Assembléia Legislativa, quais as funções dos deputados estaduais, conheceram a estrutura para o desempenho da função dos mesmos ( gabinetes, auditórios…). Também observaram a composição da mesa, com diversos representantes dos vários segmentos da sociedade interessados pelo assunto: políticos, profissionais, população. Viram a manifestação da população, que apareceu com cartazes e faixas. Entenderam como pessoas com pensamentos tão diferentes, devem se sentar juntas e conversar para solucionar problemas. Compreenderam como deve-se ou não portar diante das autoridades.

IMG-20160322-WA0011

Assinando a lista de presença.

Quando reflito sobre o que meus filhos tem vivido, me certifico cada vez mais de que estamos no caminho correto. Quando teriam tal oportunidade?

E então finalmente me pergunto: de que lado estamos da bolha?

Visita a galeria de arte

Por: Renata Santos

Certamente um dos presentes que Deus nos deu é saber apreciar o que é belo e o que é agradável aos ouvidos. Não há um ser humano que em sua existência não sentiu-se extasiado pela criação: a beleza do mar, o pôr-do-sol, um céu cheio de estrelas….Quantos de nós já nos emocionamos como uma bela melodia ou com palavras de um poema?

Sabem , existe um movimento nas últimas décadas defendendo que para se apreciar arte é necessária uma inteligência superior. Isso é uma falácia! Mentira pura! Serve apenas para grande parte da população se sentir desconfortável, pensando: “isso não é para mim!”, e delegando a uma “elite intelectual” o que deva ser considerado bom ou ruim.

Lógico que existem livros e cursos excelentes que nos auxiliam a compreender uma boa pintura ou uma boa composição musical (aqui em casa temos alguns). Mas isso não é impeditivo de se achegar perto de um lindo retrato pintado e dizer: puxa isso é muito bom! Ou mesmo pelo contrário, escutar uma música e dizer: isso não é bom!

Aproxime a arte de seu filho. Aqui em casa optamos por ensinar o que é realmente belo, e não o que as pessoas dizem que é belo. Tenho priorizado as pinturas realistas de paisagens, de fatos históricos, de retratos individuais e de famílias. Quanta história podemos aprender pelas pinturas, já que na época não existia fotografia! Também me preocupo em mostrar os méritos de um  artista: para que uma boa obra seja feita, leva-se tempo de estudo, vários projetos e muitas tentativas de execução.

Vistamos em fevereiro a galeria de arte do Museu Mineiro ( http://www.belohorizonte.mg.gov.br/local/atrativo-turistico/artistico-cultural/museu-mine) que possui exposições fixas e temporárias. Lá visitamos a obra de um artista mexicano chamado Armando Ahuatzi (http://www.ahuatzi.com). Confira o site e veja a beleza de suas pinturas.

Pedi as crianças que escolhessem qualquer um dos quadros expostos e que fizessem  uma descrição do quadro contando o que estava sendo retratado, as cores, e os sentimentos e lembranças que a pintura fazia surgir em seus corações. Vou dizer a vocês: os relatos foram maravilhosos!

Segue uma parte da descrição de um dos meninos, do quadro abaixo:

Arara com Delfim

“O pintor tenta demonstrar delicadeza e beleza neste quadro, brincando com os reflexos da luz e mexendo com as sombras. Ele pega o real e o transmite em seu quadro, no que parece uma fotografia. Gosta de usar cores vivas e misturar a natureza viva e morta, Nesta obra ele usou o verde, vermelho, amarelo, cinza, branco, azul, rosa, preto e marrom.”

Simples assim! Uma análise do que se vê, uma análise do que gosta!

Socialização

 

2014-09-19 19.33.51

Por: Renata Santos

Esta é uma palavrinha bastante conhecida por aquelas famílias que optaram pela educação domiciliar. A primeira pergunta que escutamos quando explicamos o que é a educação domiciliar é: e a socialização?

Quando estava estudando sobre o assunto, pude perceber um claro entendimento de que a socialização é um quesito importantíssimo para a população brasileira. Inclusive alguns documentos jurídicos sobrepõem a socialização à própria instrução formal, acreditam?

A grande maioria dos brasileiros acham que a escola é O lugar da socialização. Grande parte das pessoas matriculam seus filhos pequenos na escola para…se socializarem. No senso comum,  a escola  se torna um dos locais mais importantes e eficientes na qual a criança aprende a compartilhar, se doar, respeitar o próximo, aprender limites. E se ela não frequenta escola, provavelmente irá desenvolver uma sociopatia grave!

Pois bem, acredito que a população vive um mito: O Mito da Socialização (parafraseando a pesquisadora  Luciane Barbosa). Vários países do mundo praticam a educação domiciliar, inclusive os EUA, há mais de 40 anos. Estudos americanos mostram que a geração educada em casa é mais ativa politicamente, mais dada ações sociais, demonstrando a eficiência da modalidade nesse quesito. Por que “cargas d’água” os brasileiros seriam os únicos do mundo que sofreriam com a chamada falta de socialização? Às vezes penso que nós brasileiros temos o complexo de Narciso. Pense bem, como nossos avós e bisavós foram educados? Se foram pessoas simples, certamente não frequentaram a escola, ou a frequentaram mais velhos, ou mesmo a frequentaram parcialmente. Se tornaram cidadãos desfuncionais, improdutivos, pessoas que não se relacionavam ? (Inclusive se o mencionamos, é porque se conheceram, se casaram, criaram filhos, e nos geraram. Precisaram  socializar muito no processo para que nós pudêssemos estar aqui!).

A socialização que a escola permite é parcial e artificial. Veja bem, a escola segrega as crianças por idade, por séries. Então esse grande grupo de iguais se divide para que tenham pequenos grupos com características afins. Esses pequenos grupos se unem ou se rivalizam dependendo do tipo de afinidade ou mesmo sem causa aparente. Aí está formado o pequenos mundo social de nossos filhos: um mundinho em que o grupo mais forte prevalece, não por seus méritos, mas sim pela sua força. A não interferência do adulto (o construtivismo  puro assim apregoa) acaba por ser a cereja do bolo, deixando esses pequenos seres pecadores entregues a si mesmos, sem lei, sem limites.

Bom, saindo do campo das reflexões e aterrissando na vida concreta, na nossa rotina, não há um dia que não saiamos de casa. Temos atividades fixas, passeios, visitas de domingo a domingo. Portanto, a intenção desta parte do blog é compartilhar com vocês um pouco da nossa socialização: a verdadeira socialização, que nasce dentro de casa a partir do momento em que se aprende  a compartilhar, a se doar, a respeitar o próximo e aprender limites.  Isso acontece primeiramente com os pais, com os irmãos, ampliando para a família estendida, para a igreja, para a vizinhança, até chegar ao próximo que não conhecemos.

Mostraremos nosso contato com outras crianças de idades variadas, com a mesma idade, com adultos, indo a locais públicos, participando de solenidades civis, visitando orfanatos e assim por diante. Espero que aproveitem, como nós mesmos temos aproveitado!